quarta-feira, 25 de agosto de 2010

HTPC DE 25/08/2010

Jean Piaget - O biólogo que pôs a aprendizagem no microscópio
O cientista suíço revolucionou o modo de encarar a educação de crianças ao mostrar que elas não pensam como os adultos e constroem o próprio aprendizado
Márcio Ferrari (novaescola@atleitor.com.br) WriteAutor(’Márcio Ferrari’);
Foto: Camera Press
Jean Piaget (1896-1980) foi o nome mais influente no campo da educação durante a segunda metade do século 20, a ponto de quase se tornar sinônimo de pedagogia. Não existe, entretanto, um método Piaget, como ele próprio gostava de frisar. Ele nunca atuou como pedagogo. Antes de mais nada, Piaget foi biólogo e dedicou a vida a submeter à observação científica rigorosa o processo de aquisição de conhecimento pelo ser humano, particularmente a criança.
Do estudo das concepções infantis de tempo, espaço, causalidade física, movimento e velocidade, Piaget criou um campo de investigação que denominou epistemologia genética – isto é, uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança. Segundo ele, o pensamento infantil passa por quatro estágios, desde o nascimento até o início da adolescência, quando a capacidade plena de raciocínio é atingida.
"A grande contribuição de Piaget foi estudar o raciocínio lógico-matemático, que é fundamental na escola mas não pode ser ensinado, dependendo de uma estrutura de conhecimento da criança", diz Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.
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As descobertas de Piaget tiveram grande impacto na pedagogia, mas, de certa forma, demonstraram que a transmissão de conhecimentos é uma possibilidade limitada. Por um lado, não se pode fazer uma criança aprender o que ela ainda não tem condições de absorver. Por outro, mesmo tendo essas condições, não vai se interessar a não ser por conteúdos que lhe façam falta em termos cognitivos.

Isso porque, para o cientista suíço, o conhecimento se dá por descobertas que a própria criança faz – um mecanismo que outros pensadores antes dele já haviam intuído, mas que ele submeteu à comprovação na prática. Vem de Piaget a idéia de que o aprendizado é construído pelo aluno e é sua teoria que inaugura a corrente construtivista.
Educar, para Piaget, é "provocar a atividade" – isto é, estimular a procura do conhecimento. "O professor não deve pensar no que a criança é, mas no que ela pode se tornar", diz Lino de Macedo.
Assimilação e acomodação
Com Piaget, ficou claro que as crianças não raciocinam como os adultos e apenas gradualmente se inserem nas regras, valores e símbolos da maturidade psicológica. Essa inserção se dá mediante dois mecanismos: assimilação e acomodação.
O primeiro consiste em incorporar objetos do mundo exterior a esquemas mentais preexistentes. Por exemplo: a criança que tem a idéia mental de uma ave como animal voador, com penas e asas, ao observar um avestruz vai tentar assimilá-lo a um esquema que não corresponde totalmente ao conhecido. Já a acomodação se refere a modificações dos sistemas de assimilação por influência do mundo externo. Assim, depois de aprender que um avestruz não voa, a criança vai adaptar seu conceito "geral" de ave para incluir as que não voam.
Estágios de desenvolvimento
Um conceito essencial da epistemologia genética é o egocentrismo, que explica o caráter mágico e pré-lógico do raciocínio infantil. A maturação do pensamento rumo ao domínio da lógica consiste num abandono gradual do egocentrismo. Com isso se adquire a noção de responsabilidade individual, indispensável
Segundo Piaget, há quatro estágios básicos do desenvolvimento cognitivo. O primeiro é o estágio sensório-motor, que vai até os 2 anos. Nessa fase, as crianças adquirem a capacidade de administrar seus reflexos básicos para que gerem ações prazerosas ou vantajosas. É um período anterior à linguagem, no qual o bebê desenvolve a percepção de si mesmo e dos objetos a sua volta.
O estágio pré-operacional vai dos 2 aos 7 anos e se caracteriza pelo surgimento da capacidade de dominar a linguagem e a representação do mundo por meio de símbolos. A criança continua egocêntrica e ainda não é capaz, moralmente, de se colocar no lugar de outra pessoa.
O estágio das operações concretas, dos 7 aos 11 ou 12 anos, tem como marca a aquisição da noção de reversibilidade das ações. Surge a lógica nos processos mentais e a
habilidade de discriminar os objetos por similaridades e diferenças. A criança já pode dominar conceitos de tempo e número.
Por volta dos 12 anos começa o estágio das operações formais. Essa fase marca a entrada na idade adulta, em termos cognitivos. O adolescente passa a ter o domínio do pensamento lógico e dedutivo, o que o habilita à experimentação mental. Isso implica, entre outras coisas, relacionar conceitos abstratos e raciocinar sobre hipóteses.
Para pensar
Os críticos de Piaget costumam dizer que ele deu importância excessiva aos processos individuais e internos de aquisição do aprendizado. Os que afirmam isso em geral contrapõem a obra piagetiana à do pensador bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934). Para ele, como para Piaget, o aprendizado se dá por interação entre estruturas internas e contextos externos. A diferença é que, segundo Vygotsky, esse aprendizado depende fundamentalmente da influência ativa do meio social, que Piaget tendia a considerar apenas uma "interferência" na construção do conhecimento. "É preciso lembrar que Piaget queria abordar o conhecimento do ponto de vista de qualquer criança", diz Lino de Macedo em defesa do cientista suíço. Pela sua experiência em sala de aula, que peso o meio social tem nos processos propriamente cognitivos das crianças? Como você pode influir nisso?
Ajudando o desenvolvimento do aluno
Brincadeira de casinha: estímulo aos alunos
na idade da representação.
Foto: Masao Goto Filho
A obra de Piaget leva à conclusão de que o trabalho de educar crianças não se refere tanto à transmissão de conteúdos quanto a favorecer a atividade mental do aluno. Conhecer sua obra, portanto, pode ajudar o professor a tornar seu trabalho mais eficiente. Algumas escolas planejam as suas atividades de acordo com os estágios do desenvolvimento cognitivo. Nas classes de Educação Infantil com crianças entre 2 e 3 anos, por exemplo, não é difícil perceber que elas estão em plena descoberta da representação. Começam a brincar de ser outra pessoa, com imitação das atividades vistas em casa e dos personagens das histórias. A escola fará bem em dar vazão a isso promovendo uma ampliação do repertório de referências. Mas é importante lembrar que os modelos teóricos são sempre parciais e que, no caso de Piaget em particular, não existem receitas para a sala de aula.
Biografia
Jean Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1896. Aos 10 anos publicou seu primeiro artigo científico, sobre um pardal albino. Desde cedo interessado em filosofia, religião e ciência, formou-se em biologia na universidade de Neuchâtel e, aos 23 anos, mudou-se para Zurique, onde começou a trabalhar com o estudo do raciocínio da criança sob a ótica da psicologia experimental. Em 1924, publicou o primeiro de mais de 50 livros, A Linguagem e o Pensamento na Criança. Antes do fim da década de 1930, já havia ocupado cargos importantes nas principais universidades suíças, além da diretoria do Instituto Jean-Jacques Rousseau, ao lado de seu mestre, Édouard Claparède (1873-1940). Foi também nesse período que acompanhou a infância dos três filhos, uma das grandes fontes do trabalho de observação do que chamou de "ajustamento progressivo do saber". Até o fim da vida, recebeu títulos honorários de algumas das principais universidades européias e norteamericanas. Morreu em 1980 em Genebra, Suíça.
Pense um pouco sobre esta questão e responda:

Pela sua experiência em sala de aula, que peso o meio social tem nos processos propriamente cognitivos das crianças? Como você pode influenciar nisso?







12 comentários:

  1. Com certeza o meio social tem grande influência no processo cognitivo da criança, pois a aprendizagem começa fora do âmbito escolar e a criança traz para a escola essa vivência. Dependendo do meio social a que ela pertence prejudica ou ajuda o aprendizado. Devemos estar atentos e propor atividades que promovam a valorização, a socialização, a interatividade e a descoberta do conhecimento.

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  2. Vania Helena de Souza27 de agosto de 2010 às 15:16

    Tendo em vista que a escola vem para proporcionar a vida pública para os alunos, nossa influencia é total, uma vez que podemos mudar hábitos, rever crenças e prepará-los para uma vida social mais favorável. É claro, que nenhuma transformação se dará da noite para o dia, mas nosso trabalho será igual o de formiguinhas, implantando regras, cobrando deveres, responsabilidade e respeito para que as crianças saiam do mundo “do filhinho”, para entrar em contato com o mundo onde ele será igual aos demais.

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  3. Marli de Fatima Paula da Silva27 de agosto de 2010 às 19:39

    O meio social tem muita influência no processo cognitivo das crianças, pois elas vem para a escola trazendo consigo muitos conhecimentos. Algumas apresentam hábitos que precisam ser moldados e cabe a nós professores ,influenciá-las para que se inserem a novas regras ,valores, adquiram responsabilidade e mudança de atitude para melhor se relacionar e sobressair na sociedade.

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  4. Maria da Consolação29 de agosto de 2010 às 07:21

    Com certeza tem um peso muito valioso. Em uma familia onde a criança não tem contato com amor, carinho, afeto e contato com algum tipo de cultura fica dificil seu desenvolvimento ser pleno mas, isto não justifica o fracasso escolar. Cabe ao professor fazer a sua parte.Piaget, quando descreve a aprendizagem, tem um enfoque diferente do que normalmente se atribui à esta palavra. Piaget separa o processo cognitivo inteligente em duas palavras: aprendizagem e desenvolvimento. Para Piaget, a aprendizagem refere-se à aquisição de uma resposta particular, aprendida em função da experiência, obtida de forma sistemática ou não. Enquanto que o desenvolvimento seria uma aprendizagem de fato, sendo este o responsável pela formação dos conhecimentos.

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  5. Maria Aparecida Rosa29 de agosto de 2010 às 08:26

    O meio social é de grande importância para o desenvolvimento da criança, pois essa bagagem influência na sua vida escolar. Podemos mudar, preparando-os para uma vida social mais ativa. Oferecer atividades de desafios que os valorizam para que tenham uma vida de responsabilidade e bom relacionamento com o mundo.

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  6. As crianças, em todas as culturas, adquirem e modificam padrões complexos de comportamento, conhecimentos e atitudes mediante a observação do adulto. Se assim não fora, os comportamentos estariam sujeito a serem adquiridos por ensaio e erro, o que atrasaria o processo de desenvolvimento cognitivo da criança.
    Cabe ao professor sanar carências e oferecer acesso a bens culturais e modelos consistentese adequadaos de comportamento e interação social.

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  7. Maria Socorro Barbosa Maria29 de agosto de 2010 às 16:58

    Com toda certeza o ambiente social em que a criança vive influência no seu comportamneto e no seu aprendizado, a criança que recebe estimulos aprende com mais facilidade.
    Dando a eles atividades que estimulem seus saberes,mostrando a eles que devem ter responsabilidades e bom relacionamento com o próximo e respeitando o mundo.

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  8. Tudo o que possa acrescentar é importante, principalmente leituras que dizem respeito à criança e à aprendizagem, como também cursos, palestras.

    Sim, sempre que possível. Trabalho com os projetos do Guia Ler e Escrever.

    Projeto Universo ao meu redor, trata-se dos problemas do meio ambiente. Envolve todos os alunos da sala e exige bastante pesquisa por parte das crianças

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  9. A criança aprende aquilo que vive em seu dia-a-dia. O que importa para ela é aquilo de que ela necessita para sobreviver. Para que ela sinta prazer em aprender é necessário que saiba o que isso trara de bom para o futuro dela. A ação do professor é fazê-la entender isso e a partir dai procurar a melhor maneira de trabalhar com ela os conteudos necessarios de cada etapa da aprendizagem.

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  10. Penso que a criança so tem interesse naquilo que ela precisa para viver, o professor e aquele que vai mostrar a ela a necessidade da aprendizagem.

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  11. O professor tem um papel muito importante na vida de uma criança,pois através dele está criança consegue amenizar suas carências,que muitas vezes não tem em casa.Sabemos que este trabalho vai de passo em passo.Cada professor que ele conhhece é uma sabedoria a mais que ele ganha,um carinho ou a educação que lhe é necessário .Além de tudo podemos oferecer acesso a bens culturais e modelos consistente adequados de comportamento e interação social.

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  12. Para que o aluno sinta prazer em aprender é necessário que saiba o que isso trara de bom para o futuro dela. A ação do professor é fazê-la entender isso e a partir dai procurar a melhor maneira de trabalhar com ela os conteúdos necessários de cada etapa da aprendizagem,infelizmente dependendo do meio social que ela pertence prejudica ou ajuda este aprendizado.Por isso devemos estar atentos e propor atividades que promovam a valorização, a socialização, e a interatividade.

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